Já passou em vários blogs por aí (Sedentário, Não Salvo e outros), mas vale a pena divulgar.
domingo, 26 de setembro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Manifesto em Defesa da Democracia
“Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.
Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.
Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.
É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.
É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.
É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.
É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.
É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há ”depois do expediente” para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no ”outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.
É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.
É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.
É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.
Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.
Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.
Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos”.
(Escrito por vários autores, dentre eles o jurista Hélio Bicudo, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, o poeta Ferreira Gullar, o ator Carlos Vereza e o historiador Marco Antonio Villa)
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Os escândalos nas eleições presidenciais
É engraçado a quantidade de escândalos políticos que são divulgados próximo às eleições. Em 2006 foi o mensalão; este ano é o escândalo da casa Civil.
Condeno toda e qualquer forma de uso impróprio do dinheiro público. O povo, apesar de não querer ser, é falho e tende a reeleger os mesmos sangue-sugas. Uma maneira de atenuar tal condição seria extinguir a reeleição, inclusive colocando um limite de vida pública eleitoral: obrigar a pessoa a ter uma vida civil igual a de todos os brasileiros na maior parte da vida, conquistando seu lugar no mercado de trabalho.
Voltando aos escândalos. Chega a ser engraçado como o PSDB e as revistas sensacionalistas guardam os escândalos para os momentos críticos da eleição. Em 2006 o mensalão foi utilizado para diminuir a popularidade de Lula em uma eleição que já era dada como perdida por Geraldo Alckmin. Neste ano acontece o mesmo, mudam os fantoches. Errados estão o PT e o PSDB. O primeiro porque já aprendeu a viver da teta do estado. O segundo porque deixa o inimigo mamar e só reclama na hora que lhe convém.
Condeno toda e qualquer forma de uso impróprio do dinheiro público. O povo, apesar de não querer ser, é falho e tende a reeleger os mesmos sangue-sugas. Uma maneira de atenuar tal condição seria extinguir a reeleição, inclusive colocando um limite de vida pública eleitoral: obrigar a pessoa a ter uma vida civil igual a de todos os brasileiros na maior parte da vida, conquistando seu lugar no mercado de trabalho.
Voltando aos escândalos. Chega a ser engraçado como o PSDB e as revistas sensacionalistas guardam os escândalos para os momentos críticos da eleição. Em 2006 o mensalão foi utilizado para diminuir a popularidade de Lula em uma eleição que já era dada como perdida por Geraldo Alckmin. Neste ano acontece o mesmo, mudam os fantoches. Errados estão o PT e o PSDB. O primeiro porque já aprendeu a viver da teta do estado. O segundo porque deixa o inimigo mamar e só reclama na hora que lhe convém.
sábado, 18 de setembro de 2010
Coluna do André Plihal, jornalista da ESPN (link aqui).
"Vira e mexe vejo torcedor fazendo protesto na porta(ou dentro)de clube, cobrando vergonha na cara de jogador de futebol.
Nunca vejo ninguém indignado na porta da Câmara e do Senado.
Moleques de 18 anos xingam um superior(erradíssimo) ou resolvem trocar o “nome artístico” e são condenados por todos na mesma hora.
Raposas de 50, 60 roubam o povo descaradamente e sequer vão a julgamento.
Estranho, contraditório esse nosso país né ?!
Os debates dos jogos da rodada, de quem está bem, quem está em crise, devem continuar acontecendo, assim como as discussões sobre o comportamento do Neymar, o Lucas que virou Marcelinho e quis voltar a ser Lucas...
Só gostaria que a participação popular que a gente vê no esporte, se espalhasse para a política nacional.
Não para evitar o ingresso dos “tiriricas da vida” no plenário. Isso é pequeno.
O problema maior está nos que usam ternos impecáveis, colarinhos brancos e cometem poucos erros de português."
"Vira e mexe vejo torcedor fazendo protesto na porta(ou dentro)de clube, cobrando vergonha na cara de jogador de futebol.
Nunca vejo ninguém indignado na porta da Câmara e do Senado.
Moleques de 18 anos xingam um superior(erradíssimo) ou resolvem trocar o “nome artístico” e são condenados por todos na mesma hora.
Raposas de 50, 60 roubam o povo descaradamente e sequer vão a julgamento.
Estranho, contraditório esse nosso país né ?!
Os debates dos jogos da rodada, de quem está bem, quem está em crise, devem continuar acontecendo, assim como as discussões sobre o comportamento do Neymar, o Lucas que virou Marcelinho e quis voltar a ser Lucas...
Só gostaria que a participação popular que a gente vê no esporte, se espalhasse para a política nacional.
Não para evitar o ingresso dos “tiriricas da vida” no plenário. Isso é pequeno.
O problema maior está nos que usam ternos impecáveis, colarinhos brancos e cometem poucos erros de português."
domingo, 12 de setembro de 2010
O Triste Continuísmo em Mato Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul ostenta a modesta décima sétima posição na economia nacional. Em termos per capita, a situação é melhor, ocupando a décima primeira posição. Mas não é sobre dados econômicos que pretendo comentar. Minha crítica reside no continuísmo de um estado que custa a avançar – que insiste em manter a modéstia no cenário nacional.
Vivemos um período eleitoral. Tempo de escolher novos rumos e, quiçá, melhorar nosso panorama. Não vou perder o tempo do leitor falando das constantes reeleições nos cargos do executivo – apenas cinco governadores foram eleitos por voto popular em 30 anos, só Marcelo Miranda não foi reeleito. André Puccinelli tenta ser reeleito, enquanto Zeca do PT, depois de quatro anos de férias, quer voltar ao Parque dos Poderes. Lamentável…
Concentrar-me-ei nas cadeiras de deputado estadual, com número suficiente para uma melhor comparação. Mato Grosso do Sul apresenta 24 vagas para a Assembléia Legislativa Estadual e de acordo com a pesquisa do IPEMS (Instituto de Pesquisas de Mato Grosso do Sul), quase 60% da assembléia estará reeleita – valor próximo a última eleição, na qual 54% dos deputados estaduais mantiveram suas cadeiras.
Não há nenhum problema em reeleger aqueles que fazem um bom trabalho para o estado. O problema é o estado permanecer à margem da economia nacional. Chamo a atenção apenas para o continuísmo político. Se a pesquisa 34.100/2010 do IPEMS for confirmada, teremos 6 candidatos reeleitos uma vez, um candidato reeleito pelo terceiro mandato e sete (acredite!) reeleitos por cinco (acredite novamente!) ou mais mandatos. Seria o oitavo mandato de Londres Machado; o sétimo de Maurício Picarelli; o sexto de Ary Rigo e Onevan de Matos; o quinto de Arroyo, Jerson Domingos e Zé Teixeira; e o terceiro de Pedro Teruel. Isso porque Akira Otsubo, deputado estadual por seis vezes agora é candidato a deputado federal. Eu ainda consideraria no páreo, em função da razoável margem de erro, Paulo Corrêa, na cadeira a três mandatos; e Pedro Kemp, eleito nas duas últimas eleições.
Considero um absurdo um homem público permanecer no poder por oito anos (sou a favor do mandato de cinco anos sem reeleição). Não consigo encontrar outra palavra para expressar a permanência de 12, 16, 20 ou mais anos no poder. Muitos são pessoas que vivem dos cofres públicos por toda sua vida. São os políticos profissionais na busca constante pelo poder. Peço desculpas aos que já ostentaram algum destaque em qualquer outro ramo, mas muitos provavelmente não encontrariam, por exemplo, uma ocupação em alguma empresa privada. Caso não eleitos, seriam nomeados secretários, assistentes, ou recuariam para as cadeiras do legislativo municipal. Essa triste história pode criar as pulgas do sistema político brasileiro, vide o recente escândalo na cidade de Dourados.
Na ânsia de poder um dia me expressar do meu estado como referência de desenvolvimento, peço aos eleitores sul-matogrossenses um pouco mais de atenção na escolha de seus representantes. Não sejam ingênuos em acreditar que o MS já ostenta posição de respeito fora do estado. Quem olha de fora sabe que assim não é. Sejamos sensatos neste 3 de outubro.
domingo, 22 de agosto de 2010
Tostão de novo [02]
Na folha de hoje:
"[...]
O ser humano está sempre atrás de certezas, de explicações definitivas e do milagre, que deem sentido à vida. Pessoas, travestidas de sábias, explicam tudo, desde as coisas óbvias e banais até as eternas dúvidas existenciais. Alguns falam, e a maioria repete.
Quem pensa diferente é, no mínimo, visto com estranheza, ainda mais se não fizer parte da mesma patota. No futebol, é a mesma coisa.
Contardo Calligaris escreveu nesta Folha na última quinta-feira: 'Quando a mídia é de massa, não há mais diferença entre manipuladores e manipulados, pois os próprios manipuladores, expostos à mídia, são manipulados por suas produções. Ou seja, progressivamente, todo o mundo pensa as mesmas trivialidades'."
"[...]
O ser humano está sempre atrás de certezas, de explicações definitivas e do milagre, que deem sentido à vida. Pessoas, travestidas de sábias, explicam tudo, desde as coisas óbvias e banais até as eternas dúvidas existenciais. Alguns falam, e a maioria repete.
Quem pensa diferente é, no mínimo, visto com estranheza, ainda mais se não fizer parte da mesma patota. No futebol, é a mesma coisa.
Contardo Calligaris escreveu nesta Folha na última quinta-feira: 'Quando a mídia é de massa, não há mais diferença entre manipuladores e manipulados, pois os próprios manipuladores, expostos à mídia, são manipulados por suas produções. Ou seja, progressivamente, todo o mundo pensa as mesmas trivialidades'."
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
O problema da baixa fertilidade
Uma vez discuti com alguns amigos sobre a "vantagem" do bolsa família em limitar o número de filhos beneficiados em três. O casal de amigos de classe média, que tinha apenas um filho, discordou seriamente da política. "Para que ter três filhos?"
Bom. O Brasil ainda não tem problemas de baixa natalidade, mas o terá em um futuro breve. A pirâmide etária do Brasil sofreu uma mudança drástica em pouco mais de vinte anos - na Europa essa mudança demorou um século.
Hoje estava pesquisando modelos econométricos nas bases de dados científicas e me deparei com um working paper da Harvard School, intitulado: The High Cost of Low Fertility in Europe (Bloom et al., 2008).
Em suma, o estudo diz que uma queda na fertilidade provoca uma diminuição da população dependente (filhos - estudantes) e um aumento na parcela da população em idade de trabalhar. Esta dinâmica faz com que a renda per capita aumente. Nada de novo até aí.
O Grande lance está no longo prazo. A parcela da população que trabalha hoje e tem idade avançada estará aposentada no futuro e teremos uma pequena parcela da população apta a trabalhar (e bancar a população idosa). A solução é "importar pessoas" com idade de trabalhar dos países pobres? Como se problemas de xenofobia não existissem...
Países como Zâmbia, com uma alta taxa de fertilidade deveriam diminuí-la, ao contrário de países europeus, cuja fertilidade deveria ser estimulada. Nos países do oeste europeu, mantida a longevidade, é esperada, nas próximas décadas, uma diminuição no número de pessoas em idade de trabalhar de 25%.
Moral da história. O ideal é chegar a uma proporção constante de velhos e jovens na população. A chamada taxa de reposição, que contempla essa proporção, é de 2,1 filhos por mulher. No Brasil essa taxa já foi de 6 filhos na década de 1960, 4,5 filhos na década de 1970 e hoje, segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) é de 1,8 filhos - abaixo da taxa de reposição.
É por isso que o bolsa família "estimula" que a mulher tenha até três filhos!
Bom. O Brasil ainda não tem problemas de baixa natalidade, mas o terá em um futuro breve. A pirâmide etária do Brasil sofreu uma mudança drástica em pouco mais de vinte anos - na Europa essa mudança demorou um século.
Hoje estava pesquisando modelos econométricos nas bases de dados científicas e me deparei com um working paper da Harvard School, intitulado: The High Cost of Low Fertility in Europe (Bloom et al., 2008).
Em suma, o estudo diz que uma queda na fertilidade provoca uma diminuição da população dependente (filhos - estudantes) e um aumento na parcela da população em idade de trabalhar. Esta dinâmica faz com que a renda per capita aumente. Nada de novo até aí.
O Grande lance está no longo prazo. A parcela da população que trabalha hoje e tem idade avançada estará aposentada no futuro e teremos uma pequena parcela da população apta a trabalhar (e bancar a população idosa). A solução é "importar pessoas" com idade de trabalhar dos países pobres? Como se problemas de xenofobia não existissem...
Países como Zâmbia, com uma alta taxa de fertilidade deveriam diminuí-la, ao contrário de países europeus, cuja fertilidade deveria ser estimulada. Nos países do oeste europeu, mantida a longevidade, é esperada, nas próximas décadas, uma diminuição no número de pessoas em idade de trabalhar de 25%.
Moral da história. O ideal é chegar a uma proporção constante de velhos e jovens na população. A chamada taxa de reposição, que contempla essa proporção, é de 2,1 filhos por mulher. No Brasil essa taxa já foi de 6 filhos na década de 1960, 4,5 filhos na década de 1970 e hoje, segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) é de 1,8 filhos - abaixo da taxa de reposição.
É por isso que o bolsa família "estimula" que a mulher tenha até três filhos!
sábado, 7 de agosto de 2010
Proposta ao São Paulo
O São Paulo jogou bem em pouquíssimos jogos este ano. Fruto do trabalho fraco de Ricardo Gomes? Talvez. Mais provável que não. Desde que Muricy Ramalho ainda estava no São Paulo o time já jogava "feio". Era o famoso futebol de resultados que fora efetivo, conquistando louváveis três títulos nacionais consecutivos. Quiçá haveria um quarto título caso Muricy não fosse despedido. Como são-paulino, confesso não gostar de ver o futebol jogado pelo time a muito tempo. Ainda na era Muricy havia a necessidade de um meia-armador, seja rápido-condutor (estilo Kaká), seja clássico (organizador-pensador, estilo Ganso e Zidane). Com um jogador destes, Hernanes poderia jogar como jogou contra o Inter: segundo volante. Só não digo que comeu a bola no jogo pois não levou o time às finais da Libertadores. Mas jogou muito, muito mesmo, e espero que mantenha a posição e desempenho no jogo do Brasil, nesta terça-feira. Também ressalvo as contratações de Alex Silva e Ricardo Oliveira. Jogaram muito bem e serão reforços importantes para o brasileirão.
Porque falei isso até agora? Hernanes é prata da casa, assim como Alex Silva. Ricardo Oliveira é atacante importante um dos melhores atuando no país. São bons jogadores.
Jogadores entram no time com o aval da presidência, sobretudo. O técnico muitas vezes tem as mãos atadas. É papel da direção atrair bons jogadores e também promover a integração das categorias de base com o plantel principal. E é esse o ponto falho nas últimas campanhas do São Paulo. Há uma política para gastar pouco e por vezes contrata-se vários jogadores para a mesma posição, sejam eles de qualidade ou não. Não contrata-se jogadores para as posições carentes do time. Não se pode gastar! Sou economista e efetivamente contra o déficit dos clubes, mas é preciso ter visão de longo prazo. Contratar o necessário. Montar boas equipes, ganhar títulos e, assim, ter retorno. Também é necessário valorizar o que se tem. Como conseguiram deixar Oscar trocar de time? O garoto que é bom de bola jogou pouco, deveria ter muito mais oportunidades! Digo o mesmo de Henrique.
Jogadores entram no time com o aval da presidência, sobretudo. O técnico muitas vezes tem as mãos atadas. É papel da direção atrair bons jogadores e também promover a integração das categorias de base com o plantel principal. E é esse o ponto falho nas últimas campanhas do São Paulo. Há uma política para gastar pouco e por vezes contrata-se vários jogadores para a mesma posição, sejam eles de qualidade ou não. Não contrata-se jogadores para as posições carentes do time. Não se pode gastar! Sou economista e efetivamente contra o déficit dos clubes, mas é preciso ter visão de longo prazo. Contratar o necessário. Montar boas equipes, ganhar títulos e, assim, ter retorno. Também é necessário valorizar o que se tem. Como conseguiram deixar Oscar trocar de time? O garoto que é bom de bola jogou pouco, deveria ter muito mais oportunidades! Digo o mesmo de Henrique.
Falta ao São Paulo ter um objetivo: Montar uma boa equipe, que agrade ao torcedor e que dispute títulos (não só dispute títulos). Esse objetivo passa pelos argumentos ditos acima. Se o objetivo for atingido, talvez o clube consiga agradar até um bom patrocinador e não precisar fazer aquele outdoor ridículo na camisa do clube… Mas isso é papo para outra hora…
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Tostão de novo [01]
Na Folha de São Paulo de hoje:
"[...] O conteúdo do vídeo com os jogadores do Santos, mostrado umas mil vezes nos programas de televisão -as imagens são ótimas-, não é um problema apenas do futebol e do Santos. É também de parte da juventude.
As redes sociais trazem benefícios e também o caos. Além disso, as pessoas, cada vez mais, adoram se exibir pela internet. A brincadeira e a alegria espontânea estão muito próximas da idiotice, da irresponsabilidade e da barbárie.
É um mundo esquisito, esquizofrênico."
"[...] O conteúdo do vídeo com os jogadores do Santos, mostrado umas mil vezes nos programas de televisão -as imagens são ótimas-, não é um problema apenas do futebol e do Santos. É também de parte da juventude.
As redes sociais trazem benefícios e também o caos. Além disso, as pessoas, cada vez mais, adoram se exibir pela internet. A brincadeira e a alegria espontânea estão muito próximas da idiotice, da irresponsabilidade e da barbárie.
É um mundo esquisito, esquizofrênico."
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Entrevista do Krugman
Entrevista do Paul Krugman para o site do Estadão (link aqui).
Destaque para a primeira pergunta, a qual concordo muito. Sou contra o oba-oba que vemos na maioria dos noticiários. O Brasil precisa passar por uma série de melhorias para emergir como potência. Dou ênfase para a questão de reformas simplificadoras, burocrática e, sobretudo, tributária.
O senhor acredita que existe um otimismo exagerado com a economia brasileira e outros países emergentes? O conceito dos Brics ainda é válido?
Sempre considerei o conceito dos Brics muito pobre, porque são economias muito díspares. Índia e China talvez possam pertencer a um mesmo grupo, por serem ainda economias com mão de obra muito barata; Rússia é um exportador de petróleo e o Brasil é um país de renda média baixa muito diferente dos outros. O Brasil é uma boa história, que na última década teve um desempenho melhor do que o esperado, conseguiu evitar uma crise severa, promoveu uma série de melhoras no poder de compra da base de sua população diante uma história de disparidade nas rendas, mas não é ainda uma história notável de crescimento. A ideia do Brasil como uma superpotência econômica futura é ainda muito baseada em especulação com suas conquistas recentes. Espero que um dia seja verdade, mas ainda não vejo isso acontecendo. Não vejo indicação hoje no crescimento do Brasil de que ele possa emergir como uma potência da mesma forma que a China.
Qual o papel da China na recuperação do crescimento econômico mundial?
A China é muito problemática, mesmo deixando de lado a questão da moeda, que tem impedido que sua demanda interna ajude o restante do mundo. Mesmo agora, ela não é uma economia tão grande, imaginamos que ela seja pela enorme quantidade de pessoas, mas do ponto de vista da taxa de câmbio - que é o que importa - ela ainda é do tamanho do Japão. Uma maneira que poderia fazer as economias emergentes liderarem a recuperação mundial seria se elas se preparassem para uma entrada massiva de capitais, com elevados déficits nas suas contas correntes. Mas esse não é um cenário real, uma vez que os governos desses países não permitirão que isso aconteça. Olho para o final do século 19, quando os pesados estímulos daquela época permitiram o surgimento de novas tecnologias e aceleraram a demanda. O problema é que o IPad não é grande o suficiente. É difícil prever como esse período de fraca demanda mundial chegará ao fim, e pode haver um longo caminho antes que isso aconteça.
É correta a percepção de que a atual crise nos países da União Europeia seja mais uma crise do euro do que uma crise de dívida soberana?
O euro tem sérios problemas, não é apenas uma crise de dívida. Casos como o da Espanha, que vinha tendo bons resultados nos últimos anos e agora está nessa situação, e mesmo a Grécia, que deve passar por uma fase de forte deflação após muitos anos de entrada massiva de capitais são situações muito difíceis de imaginar uma solução. Está-se diante de uma moeda única numa área que de certa forma nunca estabeleceu critérios para ter uma moeda única.
Como a Europa deve lidar com a sua crise de dívida soberana, como evitar que o euro entre em colapso?
É difícil ver uma saída para a Grécia sem uma reestruturação, e a questão principal para ela não é como irá reestruturar sua dívida, mas como ela vai resolver a questão do euro. Para o restante dos países, políticas não sincronizadas ajudariam muito; o programa de austeridade espanhol tem mais probabilidade de dar certo se toda a Alemanha não estiver também sob um programa de austeridade. Não vejo o euro entrando em colapso, vejo mais uma chance de a zona do euro perder alguns países periféricos, com saídas plausíveis como da Grécia. Ficaria muito surpreso se as economias centrais do euro não permanecessem com a moeda única.
O que poderia ser feito para que o euro seja uma moeda mais viável?
Uma política de meta de inflação mais frouxa, por exemplo, poderia ajudar. Se a zona do euro estabelecesse uma meta de 3% ou 4% seria bem mais fácil de se fazer ajustes nos países problemáticos do que com uma meta de 1% ou 2%, como é agora.
A crise Grega está sendo comparada à crise Argentina em 2001. Isso significa que a Grécia deva deixar o euro? E em relação a outros países em situação semelhante?
Há diversas semelhanças da Grécia com a Argentina. Eu diria que a Argentina se comportou de forma mais responsável, com um déficit substancialmente menor do que tem a Grécia. Mas em ambos os países você tem uma economia que recebeu volumes intensos de entrada de capital ao longo de vários anos e, quando esse capital secou, viu-se com uma grande quantidade de obrigações em sua moeda. No caso da Argentina, ela estabeleceu uma paridade com o dólar e um novo sistema de câmbio. O aconteceu foi que a primeira ação foi enfrentar uma crise bancária, que forçou o governo a fechar os bancos. Não estou dizendo que a Grécia deva abandonar o euro, mas, se houver uma crise bancária, o governo será obrigado a decretar um feriado bancário e a questão que fica é por que se manter no euro. Os argumentos são muito fortes sobre como isso acaba.
Qual a sua opinião sobre o acordo feito pelos líderes do G-20 para diminuírem seus déficits? Seria uma espécie de derrota à economia keynesiana?
Sim. A promessa de reduzir os déficits não foi nada além do que já se planejava. No caso dos Estados Unidos, a meta não é diferente da que já era prevista diante de uma recuperação da economia. Não há dúvidas de que o tom geral desse acordo foi "ok, está na hora da austeridade", e isso é uma coisa muito chocante de se ver, diante de uma recuperação econômica mundial ainda muito distante. Todos sabem que sou furiosamente contra isso, principalmente porque essa virada para a ortodoxia na política econômica mundial ocorreu sem nenhuma evidência clara de que era necessária.
Qual a disposição dos Estados Unidos de realizar acordos de livre-comércio?
Atualmente, não há muita discussão sobre acordos comerciais. Dada a situação política do país, com o presidente Obama tendo de lutar até mesmo por questões triviais e óbvias que devem ser feitas, não há como desperdiçar capital político com acordos comerciais, como a Rodada Doha. Se eu fosse ele, faria o mesmo. Esse é um assunto que não está no topo da agenda da atual gestão ou mesmo da próxima.
Há algum substituto para o dólar como principal moeda de reserva?
Uma moeda de reserva de valor não é algo que possa ser estabelecido por uma decisão política. Os países não guardam dólares ou euros porque alguém tenha ordenado; eles o fazem porque essas moedas são aparentemente mais seguras e altamente líquidas e esse é o problema principal do SDR (moeda composta por uma cesta de moedas do Fundo Monetário Internacional). O que poderia substituir o dólar teria de ser algo comprovadamente melhor desse ponto de vista. A única alternativa possível seria o euro, e há dois ou três anos eu imaginava que ele alcançaria uma parcela maior das reservas mundiais em relação ao dólar, mas acho que o euro deu um grande passo atrás, com todos os problemas atuais.
Há a possibilidade de um duplo mergulho na economia mundial com as medidas de austeridade tomadas na Europa?
Acredito que seja ainda uma possibilidade, mas não a mais provável. Você não vê um PIB em queda. Acho que um problema maior é que fizemos um progresso muito frágil na diminuição do desemprego nos Estados Unidos. Então um mergulho duplo propriamente dito, acredito que não; recuperação do desemprego, provavelmente sim, e é isso que me preocupa.
Destaque para a primeira pergunta, a qual concordo muito. Sou contra o oba-oba que vemos na maioria dos noticiários. O Brasil precisa passar por uma série de melhorias para emergir como potência. Dou ênfase para a questão de reformas simplificadoras, burocrática e, sobretudo, tributária.
O senhor acredita que existe um otimismo exagerado com a economia brasileira e outros países emergentes? O conceito dos Brics ainda é válido?
Sempre considerei o conceito dos Brics muito pobre, porque são economias muito díspares. Índia e China talvez possam pertencer a um mesmo grupo, por serem ainda economias com mão de obra muito barata; Rússia é um exportador de petróleo e o Brasil é um país de renda média baixa muito diferente dos outros. O Brasil é uma boa história, que na última década teve um desempenho melhor do que o esperado, conseguiu evitar uma crise severa, promoveu uma série de melhoras no poder de compra da base de sua população diante uma história de disparidade nas rendas, mas não é ainda uma história notável de crescimento. A ideia do Brasil como uma superpotência econômica futura é ainda muito baseada em especulação com suas conquistas recentes. Espero que um dia seja verdade, mas ainda não vejo isso acontecendo. Não vejo indicação hoje no crescimento do Brasil de que ele possa emergir como uma potência da mesma forma que a China.
Qual o papel da China na recuperação do crescimento econômico mundial?
A China é muito problemática, mesmo deixando de lado a questão da moeda, que tem impedido que sua demanda interna ajude o restante do mundo. Mesmo agora, ela não é uma economia tão grande, imaginamos que ela seja pela enorme quantidade de pessoas, mas do ponto de vista da taxa de câmbio - que é o que importa - ela ainda é do tamanho do Japão. Uma maneira que poderia fazer as economias emergentes liderarem a recuperação mundial seria se elas se preparassem para uma entrada massiva de capitais, com elevados déficits nas suas contas correntes. Mas esse não é um cenário real, uma vez que os governos desses países não permitirão que isso aconteça. Olho para o final do século 19, quando os pesados estímulos daquela época permitiram o surgimento de novas tecnologias e aceleraram a demanda. O problema é que o IPad não é grande o suficiente. É difícil prever como esse período de fraca demanda mundial chegará ao fim, e pode haver um longo caminho antes que isso aconteça.
É correta a percepção de que a atual crise nos países da União Europeia seja mais uma crise do euro do que uma crise de dívida soberana?
O euro tem sérios problemas, não é apenas uma crise de dívida. Casos como o da Espanha, que vinha tendo bons resultados nos últimos anos e agora está nessa situação, e mesmo a Grécia, que deve passar por uma fase de forte deflação após muitos anos de entrada massiva de capitais são situações muito difíceis de imaginar uma solução. Está-se diante de uma moeda única numa área que de certa forma nunca estabeleceu critérios para ter uma moeda única.
Como a Europa deve lidar com a sua crise de dívida soberana, como evitar que o euro entre em colapso?
É difícil ver uma saída para a Grécia sem uma reestruturação, e a questão principal para ela não é como irá reestruturar sua dívida, mas como ela vai resolver a questão do euro. Para o restante dos países, políticas não sincronizadas ajudariam muito; o programa de austeridade espanhol tem mais probabilidade de dar certo se toda a Alemanha não estiver também sob um programa de austeridade. Não vejo o euro entrando em colapso, vejo mais uma chance de a zona do euro perder alguns países periféricos, com saídas plausíveis como da Grécia. Ficaria muito surpreso se as economias centrais do euro não permanecessem com a moeda única.
O que poderia ser feito para que o euro seja uma moeda mais viável?
Uma política de meta de inflação mais frouxa, por exemplo, poderia ajudar. Se a zona do euro estabelecesse uma meta de 3% ou 4% seria bem mais fácil de se fazer ajustes nos países problemáticos do que com uma meta de 1% ou 2%, como é agora.
A crise Grega está sendo comparada à crise Argentina em 2001. Isso significa que a Grécia deva deixar o euro? E em relação a outros países em situação semelhante?
Há diversas semelhanças da Grécia com a Argentina. Eu diria que a Argentina se comportou de forma mais responsável, com um déficit substancialmente menor do que tem a Grécia. Mas em ambos os países você tem uma economia que recebeu volumes intensos de entrada de capital ao longo de vários anos e, quando esse capital secou, viu-se com uma grande quantidade de obrigações em sua moeda. No caso da Argentina, ela estabeleceu uma paridade com o dólar e um novo sistema de câmbio. O aconteceu foi que a primeira ação foi enfrentar uma crise bancária, que forçou o governo a fechar os bancos. Não estou dizendo que a Grécia deva abandonar o euro, mas, se houver uma crise bancária, o governo será obrigado a decretar um feriado bancário e a questão que fica é por que se manter no euro. Os argumentos são muito fortes sobre como isso acaba.
Qual a sua opinião sobre o acordo feito pelos líderes do G-20 para diminuírem seus déficits? Seria uma espécie de derrota à economia keynesiana?
Sim. A promessa de reduzir os déficits não foi nada além do que já se planejava. No caso dos Estados Unidos, a meta não é diferente da que já era prevista diante de uma recuperação da economia. Não há dúvidas de que o tom geral desse acordo foi "ok, está na hora da austeridade", e isso é uma coisa muito chocante de se ver, diante de uma recuperação econômica mundial ainda muito distante. Todos sabem que sou furiosamente contra isso, principalmente porque essa virada para a ortodoxia na política econômica mundial ocorreu sem nenhuma evidência clara de que era necessária.
Qual a disposição dos Estados Unidos de realizar acordos de livre-comércio?
Atualmente, não há muita discussão sobre acordos comerciais. Dada a situação política do país, com o presidente Obama tendo de lutar até mesmo por questões triviais e óbvias que devem ser feitas, não há como desperdiçar capital político com acordos comerciais, como a Rodada Doha. Se eu fosse ele, faria o mesmo. Esse é um assunto que não está no topo da agenda da atual gestão ou mesmo da próxima.
Há algum substituto para o dólar como principal moeda de reserva?
Uma moeda de reserva de valor não é algo que possa ser estabelecido por uma decisão política. Os países não guardam dólares ou euros porque alguém tenha ordenado; eles o fazem porque essas moedas são aparentemente mais seguras e altamente líquidas e esse é o problema principal do SDR (moeda composta por uma cesta de moedas do Fundo Monetário Internacional). O que poderia substituir o dólar teria de ser algo comprovadamente melhor desse ponto de vista. A única alternativa possível seria o euro, e há dois ou três anos eu imaginava que ele alcançaria uma parcela maior das reservas mundiais em relação ao dólar, mas acho que o euro deu um grande passo atrás, com todos os problemas atuais.
Há a possibilidade de um duplo mergulho na economia mundial com as medidas de austeridade tomadas na Europa?
Acredito que seja ainda uma possibilidade, mas não a mais provável. Você não vê um PIB em queda. Acho que um problema maior é que fizemos um progresso muito frágil na diminuição do desemprego nos Estados Unidos. Então um mergulho duplo propriamente dito, acredito que não; recuperação do desemprego, provavelmente sim, e é isso que me preocupa.
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