domingo, 11 de abril de 2010

O poder social da fé

Na folha de hoje (11/04/2010), coluna do Marcelo Gleiser:

"Começo hoje com a definição de mito dada por Joseph Campbell, uma das grandes autoridades mundiais em mitologia: 'Mito é algo que nunca existiu, mas que existe sempre'. Sabemos que mitos são narrativas criadas para explicar algo, para justificar alguma coisa. Na prática, não importa se o mito é verdadeiro ou falso; o que importa é sua eficiência.

Por exemplo, o mito da supremacia ariana propagado por Hitler teve consequências trágicas para milhões de judeus, ciganos e outros. O mito que funciona tem alto poder de sedução, apelando para medos e fraquezas, oferecendo soluções, prometendo desenlaces alternativos aos dramas que nos afligem diariamente.

A fé num determinado mito reflete a paixão com que a pessoa se apega a ele. No Rio, quem acredita em Nossa Senhora de Fátima sobe ajoelhado centenas de degraus em direção à igreja da santa e chega ao topo com os joelhos sangrando, mas com um sorriso estampado no rosto. As peregrinações religiosas movimentam bilhões de pessoas por todo o mundo. É tolo desprezar essa força com o sarcasmo do cético (...)"
 
Edir macedo que o diga!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A pressão sobre a próxima reunião do Copom

O Boletim Focus desta semana aponta nova alta na expectativa de inflação para 2010. O IPCA (índice utilizado no controle das metas de inflação) tem altas consecutivas a 11 semanas seguidas e o mercado agora aposta em 5,18% para 2010; IGP-DI e IGP-M também apresentam altas - estes a 12 semanas consecutivas. Isso a pouco mais de 3 semanas da última reunião do Copom. Teria Meireles optado por uma estratégia puramente eleitoral? E agora que desistiu da eleição, irá aumentar os juros?

É consenso que esta alta virá na próxima reunião. A dúvida é no tamanho da paulada: 0,5%; 0,75% ou, quem sabe, 1%?


De qualquer maneira, a motivação do post não é essa. Chamo atenção para um assunto correlato.
Até que ponto o mercado decide o futuro do país? É claro que o mercado é fator determinante - se não principal - na construção do país. Mas o que define os juros é a expectativa do mercado ou a expectativa do Bacen? Ou são ambas a mesma coisa?

Na faculdade escutamos muito sobre profecias auto-realizáveis. O caso do juro brasileiro é o segundo melhor exemplo para a definição (a primeira continua sendo a corrida aos banco em uma "fofoca" de quebra). O mercado vai semana a semana mandando suas expectativas ao Bacen e este utiliza essas expectativas para formar as suas. Não há dúvida disso. Aonde ficariam as projeções dos analistas do Bacen? Teria o Bacen condições de nadar só contra a maré?

Gostaria de ter as respostas...

sábado, 27 de março de 2010

Ainda sobre o funcionalismo público

Lembrei de um texto muito interessante sobre a Reforma do Estado.
Foi um tema muito discutido na transição do governo do Itamar Franco para a do Fernando Henrique.
A lógica da transição de uma situação de inflação elevada para um ambiente estável, com âncora cambial, deveria também ter como suporte um estado mais eficiente.

O documento oficial é assinado por Bresser-Pereira (quem diria hein). Outros colaboradores para o texto são FHC, Pedro Malan (então ministro da fazenda), José Serra (então ministro do planejamento). O texto oficial pode ser baixado aqui.

A conexão entre o documento e o post anterior reside na proposta de flexibilização do regime de estabilidade do servidor público. A proposta é válida para os servidores estatuários. Segundo o texto:
"a flexibilização da estabilidade dos servidores estatutários, permitindo-se a demissão, além de por falta grave, também por insuficiência de desempenho e por excesso de quadros".
Não há lógica em manter a atual posição de estabilidade incondicional. (você já viu algum servidor público ser demitido por falta grave?)

Acho difícil que alguma autoridade queira perder o apoio dessa massa. Não há horizonte para mudança.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Reajustes do setor público

Hoje estávamos brincando de sardinha no carro, depois da aula, eu e alguns colegas de sala. Ainda no campus da USP-RP passou um carro com um som (alto) dizendo que haverá reunião dos funcionários administrativos hoje a tarde. Estes desejam reajuste salarial de 6%.

O motivo dessa análise é extremamente viesado. Vou falar pura e simplesmente por uma amostra pequena dos funcionários públicos.

Estou estudando na minha segunda universidade pública. Além disso, já passei algum tempo em órgãos públicos como Detran e Postos de Saúde. Convivi com alguns funcionários públicos e já escutei amigos falarem que desejam passar em algum concurso público para "ganhar bem e trabalhar pouco". Já disse e enfatizo: é uma amostra viesada! Peço desculpa aos funcionários públicos eficientes. É digno de nota também que esta análise encontra problemas metodológicos no que tange a experiência microeconômica (fajuta) ampliada para a análise macro. Enfim, é um "palpitão".

A afirmação que inicia a história é a seguinte: O funcionário público é, em geral, menos eficiente que o privado; além disto, os primeiros também são muito mais exigentes. Explico:

Aprende-se nos cursos de economia que o salário (real) dos trabalhadores deve crescer juntamente com a produtividade (marginal) do trabalho. Ou seja, os salários podem subir, desde que haja compensação na qualidade/quantidade dos serviços prestados à sociedade. Isso significaria que para dar suporte a um pedido destes, deveria haver meios de avaliar o serviço prestado. [Esta é a parte séria da análise]

Voltando à amostra: Em média, você acha que é bem atendido no funcionalismo público? Você acha os serviços prestados eficientes? A minha resposta é: em média, para ambas as perguntas, não.

Um colega meu, ao escutar meu ponto de vista, defendeu os funcionários dizendo que muitos salários encontram-se defasados e que seria justo tal aumento. Eu respondo assim:

Não sei qual foi o último reajuste dos funcionários administrativos. Mas se há defasagem, deveria ser concedido apenas algum ajuste ligado ao IPC. Ajustes indexados ao salário mínimo ou comparativos aos reajustes da indústria, por exemplo, não são válidos. Isso porque houve crescimento real destes nos últimos anos. Todavia, os o salário mínimo parte da ideia de política distributiva e o aumento da indústria teve respaldo no crescimento da produtividade. O que não aparenta ser o caso dos funcionários públicos.

De qualquer maneira, eu até abraçaria a causa deles se eles provassem que houve melhora no serviço público ao invés de simplesmente "reeinvindicar seus direitos".
[Ficaria muito feliz também se fosse mais bem tratado por todos ao utilizar a coisa pública]

quinta-feira, 25 de março de 2010

Fugindo da proposta do blog...

Essa semana estou com a cabeça em Campo Grande... Depois de 4h de aula de Macro a tarde, só consigo fazer coisas produtivas, como assistir o trailer abaixo:


domingo, 21 de março de 2010

Por que o Real Madrid não vence a Champions League?

Essa é uma pergunta que paira na cabeça de muitos amantes do futebol. O Real Madrid, maior vencedor da Liga dos Campeões da UEFA (9 vezes) contratou nomes de peso e mesmo assim ainda não convenceu.
Essa semana foi eliminado da competição, novamente nas oitavas de final.

Jogadores como Kaká, considerado um dos melhores do mundo, têm dificuldade em jogar a um nível elevado. Além deste, foram contratados Cristiano Ronaldo (até então melhor do mundo e o jogador mais caro da história do futebol), Xabi Alonso, Alvaro Arbeloa, Raúl Albiol, Esteban Granero...

Aí a culpa cai em cima do técnico. E o Real Madrid troca o técnico. Provavelmente Pellegrini deve cair no término da temporada.

Minha análise parte do seguinte fato: Nas últimas 20 edições da Champions League, apenas em 4 oportunidades técnicos recém-contratados (início da temporada) foram campeões. São elas: Liverpool com Rafa Benitez em 2005; Real Madrid com Vicente Del Bosque em 2000 e Jupp Heynckes em 1998; e Estrela Vermelha com Ljupko Petrovic em 1991. Ver tabela abaixo:


Em metade das ocasiões os técnicos tinham já um ou dois anos de treinamento antes da temporada campeã começar. Isso aconteceu até com o encantador Barcelona da temporada passada. Na primeira temporada com Pepe Guadiola no comando, o Barcelona não venceu nada - e nem por isso o técnico fora despedido. Na temporada seguinte veio a "recompensa".

80% dos técnicos campeões já tinham ao menos uma temporada completa no comando da equipe antes da temporada campeã começar.

Isso não são só números. Pode-se imaginar que ao longo do tempo o técnico conhece melhor cada jogador, tem mais tempo para modelar a equipe e, além de tudo, tem a oportunidade de, ao final da temporada, comunicar à diretoria quais são as principais carências do elenco. Quais jogadores são ou não dispensáveis e quais seriam boas contratações. Trazer jogadores promissores das categorias de base ou jogadores com que o treinador trabalhou anteriormente são boas opções.

Portanto, minha humilde recomendação ao Real Madrid é: Espere o fim da segunda temporada para demitir um técnico. Não digo isso apenas pelo Pellegrini, mas por tantos outros grandes técnicos que já passaram por lá.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O Copom, Krugman e eu

O único assunto que une estas três figuras é o interesse pelos juros brasileiros.

Na verdade, a motivação desse post veio poucos minutos antes da decisão do Copom, que manteve a Selic em 8,75% a.a.; mas ainda serve para análises futuras.
O Banco Central tem sido um órgão de extrema competência na manutenção das taxas inflacionárias a níveis aceitáveis. Tomou decisões criticadas pelos mais progressistas devido, principalmente, a (ir)responsabilidade da política fiscal. Manteve a inflação dentro da banda usando a regra dos juros elevados.

O mais engraçado é que no momento da grande crise deste século - até agora - é que esse conjunto de fatores foi importante para a recuperação do Brasil. Os gastos governamentais, vistos como excessivos, ajudaram a manter a renda no momento da crise. Basta olhar para a quantidade de pessoas contratadas pelas esferas públicas. O juro recorde mundial era um colchão de gordura para a redução gradativa, conforme a crise se agravava. Ainda assim tivemos decrescimento de 0,2%.

O momento agora é outro "pero no mucho". A economia está aquecida novamente. Já há pressão nos preços. E aí vem uma nova pressão para alta nos juros.
Agora entra Krugman. Em um post de seu blog traduzido no Estadão ele argumenta sobre a armadilha da liquidez. Confesso que foi o texto (simples) mais esclarecedor sobre o tema que já li.

Acontece que o juro nominal já é quase zero nos EUA, Japão, Europa (incluindo Inglaterra) e Austrália. E nesses países o crescimento ainda não está retomado. O que acontece é que para estimular o crescimento a taxa de juros nominal nesses países teria que ser negativa, fato ainda não visto neste planeta (pelo menos por mim). É um questionamento a política adotada no pré-crise.
E o que isto tem a ver com o Copom?

Bom. Na verdade temos um dilema. O que deveremos fazer a partir de agora? Manter a receita neoclássica: Ou diminuímos gastos públicos ou aumentamos os juros para manter os preços? Esquecemos de vez isso, mantemos os juros a estes patamares e esperamos por um crescimento mais robusto, ainda que com pressão sobre preços?

Eu provavelmente ainda tenho muito a aprender para palpitar. Mas... Se alguém quiser saber minha opinião: Já passou da hora das mudanças estruturais. Menos burocracia e mais infra-estrutura podem ser uma alternativa a aumentos dos juros ou diminuição dos gastos. Em suma, mais eficiência.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Disponibilizar mais crédito deu certo


Na folha de sexta-feira: "BB tem lucro recorde com dinheiro da Previ".

Além da questão contábil ligada a Previ, um motivo que merece destaque é a agressividade na concessão de empréstimos, sobretudo no momento de crise. O BB aumentou quase 34% de sua carteira de empréstimos, enquanto os outros bancos o fizeram 14,5%; E fez isso sem aumentar a indadimplência, além de aumentar suas margens de ganho.
Sinal que os bancos privados devem ser um pouco mais ousados neste 2010; ano cujo crescimento esperado do PIB gira em torno de 5,5% (Relat. Focus da semana passada).
Na próxima crise talvez os bancos privados estejam mais espertos...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A cultura do povo e a economia nacional

A algumas semanas a Grécia está na pauta dos jornais. Especula-se que o problema fiscal Grego (que espalha medo até em economias não tão endividadas como Espanha, Itália e Irlanda) possa levar a uma nova derrocada na saúde da economia mundial.

O problema Grego nada mais é que uma tentativa (ainda frustrada) de tornar a Europa uma só. A união européia, representada, neste sentido, pela união monetária - o euro -, não deu certo para todos os membros.
Isso ocorre porque ao adotar uma moeda única, os países membros ficam reféns da política monetária coletiva. Ou seja, perdem parte importante da autonomia econômica. Se todos os países membros fossem homogêneos, o Banco Central Europeu poderia maximizar a política monetária facilmente...
Aí a política fiscal passa a ter papel fundamental na condução econômica das autoridades nacionais.


Nos dois últimos dias noticiou-se greves na Grécia. O motivo: a população não quer austeridade fiscal. Não querem cortes de gastos. É uma sociedade como a brasileira, cujo ex-presidente Fernando Henrique definiu bem: "o brasileiro gosta do estado". Grécia e Itália são países historicamente com forte presença estatal na economia. Aí já é manjada a lição: O estado ocupa parte do espaço do setor privado. Em épocas de crise, um estado já endividado pode tornar-se fiscalmente duvidoso a médio e longo prazos. E a recuperação da credibilidade fica ainda mais difícil com uma reação da população como essa.

Apesar do Brasil estar posição sustentável hoje, fica a lição de que os próximos anos não sejam iguais aos oito anos de mandato do presidente Lula, ao menos no tocante a geração de despesas correntes (contratação em massa, mais especificamente). Talvez não seja prudente gostar tanto assim do estado.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Blog do Maranhão Viegas

A partir de hoje o blog do Viegas passa a ser parte dos meus favoritos.
Sou um grande fã deste cara, seja como pessoa, seja como profissional.
http://maranhaoviegas.blogspot.com/