quinta-feira, 17 de março de 2011

A participação dos países nas exportações brasileiras

Esses dias tive a maior dor de cabeça para refazer uma ponderação utilizada na base de dados da minha dissertação. Trata-se da participação de países no total de exportações (FOB) de produtos manufaturados brasileiros. Havíamos selecionado anteriormente 15 países para essa ponderação. Com estes, no período de análise (1999-2009), a participação era de 47,7%. Os países selecionados eram, por ordem de importância: EUA (19%); Holanda (5%); Alemanha (4%); México (3,3%); Itália (2,6%); Japão (2,4%); Reino Unido (2,3%); França (2,2%); Russia (1,9%); Espanha (1,6%); Coréia do Sul (1,2%); Portugal (0,9%); Turquia (0,4%); Suécia (0,4%) e Noruega (0,4%).

É importante notar que a composição dos países foi mudando ao longo desse período. Esses mesmos 15 países, que representavam 55% dos destinos das exportações de manufaturados em 1999, passaram a representar apenas 37,8% em 2009.

Meu orientador sugeriu aumentar a quantidade de países na ponderação e lá fui eu, refazer a amostra, incluindo mais sete países, selecionados por sua importância: Argentina (9,6%); China (5,5%); Chile (1,5%); Bélgica (1,1%); Venezuela (1%); Canada (0,7%) e India (0,5%). Os percentuais são para todo o período de análise. Com essa adição, a participação sobre o total de exportações brasileiras chegou a 67,6%.

O que chama a atenção é  que essa composição alterou-se de forma significativa ao longo do tempo. O Gráfico abaixo mostra a evolução dos 7 maiores parceiros comerciais.


Enquanto EUA reduziu bastante as compras de manufaturados brasileiros, Argentina manteve uma boa média e a China entrou na corrida. A participação desse país cresceu 26,5 vezes no período (era pouco menor que US$ 1 bi em 1999). Em 2009 esses três países estavam em faixas bem parecidas de importância.
Outros países que aumentaram a demanda por produtos brasileiros foram a Índia (aumentou 9,73 vezes); Venezuela (4,55 vezes); Coréia do Sul (3,19 vezes); Canada, Noruega, Chile, Portugal, Holanda e Turquia mais que dobraram suas compras.

A estratégia do Lula em aumentar o mix é válida. Em momentos de crises pontuais, o país sofrerá menos consequências sobre a balança comercial, produto e emprego. [Grande comentário, rs.]

sexta-feira, 11 de março de 2011

Números não tão conclusivos sobre o mercado imobiliário

Esperava encontrar algo mais sólido sobre preços dos imóveis - como um índice de preços, mas não há fontes confiáveis disponíveis.
A impressão sobre o mercado imobiliário continua sendo uma impressão. Os números apontam a favor, mas não se pode concluir convictamente a favor da hipótese de mercado sobreaquecido. Além disso, quando se trata de mercado de imóveis, devem ser verificadas variáveis de fluxo (como a renda) e variáveis de estoque (como a riqueza acumulada). Ambas as fontes pressionam a demanda por imóveis. Outro problema é o atraso na disponibilização dos dados. As últimas informações sobre estoque de capital fixo para construção é de 2008. Minha percepção é de que o aquecimento dos preços se deu de forma mais intensiva a partir dessa
data, sendo 2009 e 2010 anos de maior procura por imóveis.

Outra decepção é a dificuldade de encontrar informações concretas sobre o programa Minha Casa Minha Vida, como a quantidade de pessoas atendidas, o percentual dos imóveis construídos já entregues etc. Procurei informações no site da Caixa Econômica Federal... No site do BACEN há informações sobre financiamento residencial, mas os dados são inúmeros e as informações estão em PDF. Vou ver se consigo contactar o local para informações mais acessíveis.

Abaixo estão apenas dois gráficos. O primeiro tem dados do IBGE e mostra os preços ao consumidor (IPC), o índice geral de preços médio (IGP-M) - que indexa boa parte dos contratos de aluguel e o custo médio do metro quadrado construído. Nota-se que as séries começam a ter níveis distintos em fins de 2002. No primeiro trimestre de 2003 a série de custo da construção se descola do IPC. No início de 2010 a série do IGP-M volta a se equiparar com o custo da construção.

O segundo contém dados do IPEA. Mostra os estoques líquidos e brutos da construção civil, geral e residencial apenas. A construção residencial cresce a um ritmo superior à construção em geral.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Mercado de imóveis aquecido

Em Campo Grande há uma corrida pela compra de terrenos para a construção civil, sobretudo residencial. Novos Shoppings chegam à Cidade, assim como condomínios fechados luxuosos. Conjuntamente com a pavimentação de ruas e avenidas, os preços dos imóveis decolam.

Muitos estão investindo pesado nesse ramo. Eu tenho a ligeira impressão de que é um mercado já aquecido e o tempo de entrar já passou. Essa impressão é compartilhada com a presidenta Dilma Roussef. Neste momento são tomadas providências para a criação de um índice de preços dos imóveis (notícia aqui).

Essa semana volto com alguns números.

domingo, 7 de novembro de 2010

O luto pós-eleição: a reação dos fascistas brasileiros

Fiquei um tempo sem escrever, triste com o resultado das eleições. Porém, nessa semana, foi noticiado um movimento anti-nordestino nas redes sociais. Considerar os nordestinos "inferiores" é fascismo e deveria (talvez até seja) ser considerado crime.

Boa parte das críticas destes bastardos lambuzados de ignorância reside no efeito eleitoreiro que os programas sociais provocam. O principal alvo é o bolsa-família. O nordeste abriga a maior parte dos pobres brasileiros (de renda e educação) que recebem o benefício. Devido a errônea atribuição do cerne do programa ao PT, os nordestinos acabam por votar sempre nos candidatos do partido. Aí surgem frases estúpidas como:
"O nordeste não se paga" e "Não pode dar dinheiro para pobre". E não foi a "direita" (que no Brasil não é tão direita assim) que criou o programa?

Deixando a questão político-eleitoreira de lado, vou fazer uma análise fria da arquitetura do programa.
Como a análise é extensa, tenho quase-certeza que os críticos fervorosos e os fascistas vão ficar com preguiça de ler...

1º) A aceitação que é um grande problema
Do mesmo modo que a saúde e a segurança pública são problemas sociais, a pobreza, o trabalho infantil, a (falta de) educação também são. O Brasil conta com aproximadamente 20 milhões de pobres oficiais. Isso é mais de 10% da população! É quase duas vezes a população de Portugal ou equivalente a população da península escandinava, formada por Suécia, Noruega e Finlândia. E ainda há indícios que este número está subestimado (notícia aqui)...

2º) Os objetivos do programa bolsa família
Retirado do site do Ministério do Desenvolvimento Social (link aqui):
"O Programa possui três eixos principais: transferência de renda, condicionalidades e programas complementares. A transferência de renda promove o alívio imediato da pobreza. As condicionalidades reforçam o acesso a direitos sociais básicos nas áreas de educação, saúde e assistência social. Já os programas complementares objetivam o desenvolvimento das famílias, de modo que os beneficiários consigam superar a situação de vulnerabilidade."
As crianças beneficiadas devem ter um percentual mínimo de presença em sala de aula (educação + erradicação do trabalho infantil). Mais exigências são feitas. Pesquisem, caso queiram criticar.


3º) Os valores
Aqui reside a maior parte da ignorância das pessoas, que criticam o programa sem se informar. Já cansei de escutar: "Aí fica o malandro sem trabalhar, tendo vários filhos, só para receber o bolsa-família". Salvo algumas cidades minúsculas no agreste nordestino (eu vi reportagem na TV, não consegui achar algo escrito), é difícil imaginar que uma pessoa irá deixar de trabalhar para receber cerca de R$200, valor máximo pago por família.
"O benefício atual é composto de duas partes:  a) R$60 para famílias com renda  per capita inferior a R$60, independentemente do número de filhos; e b) para famílias com crianças com idade inferior a 15 anos e renda per capita inferior a R$120, há um benefício adicional de R$18 por filho, sendo que há um limite de três crianças por família." (Soares, Ribas e Soares; 2009)
Não adianta a família ter quinze filhos, ela receberá o incrível valor de R$18 apenas para três filhos (total R$54).


4º) As pesquisas já divulgadas
Rocha (2005) e Hoffman (2006) comprovaram que o programa diminui a desigualdade de renda, que é um resultado consenso na literatura. Pedrozo (2006) atesta a diminuição da evasão escolar entre as crianças  de 10 a 15 anos, sendo o impacto nas famílias extremamente pobres ainda maior. Isso tem efeito claro sobre o trabalho infantil. Schwarstman (2006) acrescenta a estes resultados a melhoria progressiva do acesso à educação e da disponibilidade e custos reduzidos de alimentos e bens de consumo duráveis. Lindert et al (2007), em um artigo do Banco Mundial, não escrito por brasileiros, dão suporte às conclusões de trabalhos anteriores e também a relativa eficácia do modelo descentralizado, cujo repasse é direto aos beneficiados, sem intermediários, o que diminui o desvio de recursos. Duarte, Sampaio e Sampaio (2007) averiguaram que a maior parte do acréscimo de renda fornecido pelo bolsa-família, como era esperado, é utilizado na compra de alimentos. Haddad (2008), no Journal of International Development, também confirma o benefício social e diz que, apesar de problemas locais, o modelo de distribuição adotado é o mais eficiente. Tavares (2008) estuda a oferta de trabalho das mães após a implantação do programa. Ela notou que houve redução de 10% nesta, considerando apenas as mães dentro da faixa de renda requerida. O argumento é adicionado de que essa atitude tende a melhorar a saúde das crianças. Soares, Ribas e Soares (2009) sugerem propostas de ampliação da base de beneficiados. A expansão, de acordo com os autores, não implica em perda de focalização, vide a expansão realizada até 2006. A ideia é diminuir o saldo de famílias pobres não atendidas, que está entre 5 e 10 milhões.

5°) Os desafios que ainda restam ao programa
Hall (2008) vai no calcanhar de Aquiles do programa: o apelo eleitoral. Com certeza o programa traz distorções sérias no cenário político nacional. O autor alerta também da criação de uma dependência das pessoas em relação ao estado. Por fim, diz que os recursos empregados poderiam ser utilizados em educação, saúde etc. Eu discordo do último ponto, ao menos enquanto a pobreza for um problema de tamanha proporção. Haddad (2008) sugere focalização nas regiões com problemas distributivos, visando reduzir a repartição irregular do programa.

Concordo que o programa poderia ser melhor, como qualquer política pública. As sugestões estão aparecendo nas pesquisas. Quanto a questão eleitoreira, é por pura incompetência dos partidos de "direita" que as pessoas atendidas votam na "esquerda". Deveriam divulgar melhor a ampliação do programa e suas origens, sobretudo no nordeste.

6°) As críticas mais comuns (sem fundamentos)
"Tem que dar trabalho, não dinheiro" ou "Tem que ensinar a pescar ao invés de dar o peixe"
Se resolver o problema de desemprego fosse fácil, não teríamos desemprego recorde nos EUA e na Europa. Além disso, o próprio sistema capitalista pressupõe a existência uma taxa de desemprego, com a finalidade, dentre outras, de manter a estabilidade de preços.

"Eu já vi gente que parou de trabalhar para receber a bolsa"
Esse nunca ouviu falar de estatística. Estamos falando de um programa de mais de 11 milhões de beneficiados. Para cada pessoa que você vê sem trabalhar, apenas usufruindo do benefício, existem milhares trabalhando, utilizando o benefício para complementar a renda. Quem está trabalhando não está na rua para você ver.

"Dar dinheiro aos produtores rurais movimenta a economia, dar dinheiro aos pobres não"
Como já foi elucidado, os pobres consomem todo o benefício que recebem. Alguém tem que produzir para os pobres consumirem. A indústria e o comércio de alimentos agradecem todos os dias pelo programa. O efeito multiplicador também se dá na indústria e comércio de fármacos. Você já viu algum empresário de médio ou grande porte reclamar do programa? Só os que não tem visão estratégica reclamam. Estes são, em geral, os pequenos empresários.

domingo, 3 de outubro de 2010

O Triste Continuísmo em Mato Grosso do Sul [UPDATE]

Não deu outra: 14 deputados estaduais reeleitos em MS.
O Sr. Londres conseguiu! Recorde de mandato: 8 vezes consecutivas. Serão 32 anos no poder.
Vamos mandar fazer uma cadeira com a almofada no formato da bunda dele e colocar na frente da Assembléia.
Na epígrafe: "Um homem confortavelmente aconchegou suas nádegas aqui durante mais de trinta anos. Cuidado com o odor."

Maurício Picarelli é outro que merece um lugar especial. São 28 anos fazendo besteira na Assembléia e sabe-se lá quantos anos influenciando o povão no seu programa de TV.
O uso da imagem pública dos meios de comunicação também serviu para Alcides Bernal, o radialista das manhãs de Campo Grande. Será que ele será puxa-saco que nem no rádio? É só um político aparecer no programa dele para receber uma cesta de elogios. Se fizer isso no Parque dos Poderes, poderá ganhar bem mais que alguns trocados.

Quer saber? Cansei. Só vou listar abaixo a quantidade de anos que os caras vivem do nosso dinheiro (somando com o mandato 2011-2014).
Londres Machado - 32 anos
Maurício Picarelli - 28 anos
Onevan de Matos - 24 anos
Arroyo - 20 anos
Jerson Domingos - 20 anos
Zé Teixeira - 20 anos
Paulo Correia - 16 anos
Pedro Kemp - 12 anos
Dione Hashioka - 8 anos
Junior Mochi - 8 anos
Marcio Fernandes - 8 anos
Marquinhos Trad - 8 anos [Se somarmos a família Trad inteira...]
Marun - 8 anos
Paulo Duarte - 8 anos
Tetila - 8 anos

Meus pêsames a todos! Ou seria: "Parabéns! Conseguiram cagar de novo né?"

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Manifesto em Defesa da Democracia


“Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.
Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.
Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.
É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.
É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.
É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.
É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.
É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há ”depois do expediente” para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no ”outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.
É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.
É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.
É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.
Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.
Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.
Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos”.

(Escrito por vários autores, dentre eles o jurista Hélio Bicudo, o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, o poeta Ferreira Gullar, o ator Carlos Vereza e o historiador Marco Antonio Villa)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Os escândalos nas eleições presidenciais

É engraçado a quantidade de escândalos políticos que são divulgados próximo às eleições. Em 2006 foi o mensalão; este ano é o escândalo da casa Civil.
Condeno toda e qualquer forma de uso impróprio do dinheiro público. O povo, apesar de não querer ser, é falho e tende a reeleger os mesmos sangue-sugas. Uma maneira de atenuar tal condição seria extinguir a reeleição, inclusive colocando um limite de vida pública eleitoral: obrigar a pessoa a ter uma vida civil igual a de todos os brasileiros na maior parte da vida, conquistando seu lugar no mercado de trabalho.

Voltando aos escândalos. Chega a ser engraçado como o PSDB e as revistas sensacionalistas guardam os escândalos para os momentos críticos da eleição. Em 2006 o mensalão foi utilizado para diminuir a popularidade de Lula em uma eleição que já era dada como perdida por Geraldo Alckmin. Neste ano acontece o mesmo, mudam os fantoches. Errados estão o PT e o PSDB. O primeiro porque já aprendeu a viver da teta do estado. O segundo porque deixa o inimigo mamar e só reclama na hora que lhe convém.

sábado, 18 de setembro de 2010

Coluna do André Plihal, jornalista da ESPN (link aqui).

"Vira e mexe vejo torcedor fazendo protesto na porta(ou dentro)de clube, cobrando vergonha na cara de jogador de futebol.

 Nunca vejo ninguém indignado na porta da Câmara e do Senado.

 Moleques de 18 anos xingam um superior(erradíssimo) ou resolvem trocar o “nome artístico” e são condenados por todos na mesma hora.

 Raposas de 50, 60 roubam o povo descaradamente e sequer vão a julgamento.

 Estranho, contraditório esse nosso país né ?!

 Os debates dos jogos da rodada, de quem está bem, quem está em crise, devem continuar acontecendo, assim como as discussões sobre o comportamento do Neymar, o Lucas que virou Marcelinho e quis voltar a ser Lucas...

 Só gostaria que a participação popular que a gente vê no esporte, se espalhasse para a política nacional. 

 Não para evitar o ingresso dos “tiriricas da vida” no plenário. Isso é pequeno.

 O problema maior está nos que usam ternos impecáveis, colarinhos brancos e cometem poucos erros de português."

domingo, 12 de setembro de 2010

O Triste Continuísmo em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul ostenta a modesta décima sétima posição na economia nacional. Em termos per capita, a situação é melhor, ocupando a décima primeira posição. Mas não é sobre dados econômicos que pretendo comentar. Minha crítica reside no continuísmo de um estado que custa a avançar – que insiste em manter a modéstia no cenário nacional.

Vivemos um período eleitoral. Tempo de escolher novos rumos e, quiçá, melhorar nosso panorama. Não vou perder o tempo do leitor falando das constantes reeleições nos cargos do executivo – apenas cinco governadores foram eleitos por voto popular em 30 anos, só Marcelo Miranda não foi reeleito. André Puccinelli tenta ser reeleito, enquanto Zeca do PT, depois de quatro anos de férias, quer voltar ao Parque dos Poderes. Lamentável…

Concentrar-me-ei nas cadeiras de deputado estadual, com número suficiente para uma melhor comparação. Mato Grosso do Sul apresenta 24 vagas para a Assembléia Legislativa Estadual e de acordo com a pesquisa do IPEMS (Instituto de Pesquisas de Mato Grosso do Sul), quase 60% da assembléia estará reeleita – valor próximo a última eleição, na qual 54% dos deputados estaduais mantiveram suas cadeiras.
Não há nenhum problema em reeleger aqueles que fazem um bom trabalho para o estado. O problema é o estado permanecer à margem da economia nacional. Chamo a atenção apenas para o continuísmo político. Se a pesquisa 34.100/2010 do IPEMS for confirmada, teremos 6 candidatos reeleitos uma vez, um candidato reeleito pelo terceiro mandato e sete (acredite!) reeleitos por cinco (acredite novamente!) ou mais mandatos. Seria o oitavo mandato de Londres Machado; o sétimo de Maurício Picarelli; o sexto de Ary Rigo e Onevan de Matos; o quinto de Arroyo, Jerson Domingos e Zé Teixeira; e o terceiro de Pedro Teruel. Isso porque Akira Otsubo, deputado estadual por seis vezes agora é candidato a deputado federal. Eu ainda consideraria no páreo, em função da razoável margem de erro, Paulo Corrêa, na cadeira a três mandatos; e Pedro Kemp, eleito nas duas últimas eleições.

Considero um absurdo um homem público permanecer no poder por oito anos (sou a favor do mandato de cinco anos sem reeleição). Não consigo encontrar outra palavra para expressar a permanência de 12, 16, 20 ou mais anos no poder. Muitos são pessoas que vivem dos cofres públicos por toda sua vida. São os políticos profissionais na busca constante pelo poder. Peço desculpas aos que já ostentaram algum destaque em qualquer outro ramo, mas muitos provavelmente não encontrariam, por exemplo, uma ocupação em alguma empresa privada. Caso não eleitos, seriam nomeados secretários, assistentes, ou recuariam para as cadeiras do legislativo municipal. Essa triste história pode criar as pulgas do sistema político brasileiro, vide o recente escândalo na cidade de Dourados.

Na ânsia de poder um dia me expressar do meu estado como referência de desenvolvimento, peço aos eleitores sul-matogrossenses um pouco mais de atenção na escolha de seus representantes. Não sejam ingênuos em acreditar que o MS já ostenta posição de respeito fora do estado. Quem olha de fora sabe que assim não é. Sejamos sensatos neste 3 de outubro.

domingo, 22 de agosto de 2010

Tostão de novo [02]

Na folha de hoje:

"[...]
O ser humano está sempre atrás de certezas, de explicações definitivas e do milagre, que deem sentido à vida. Pessoas, travestidas de sábias, explicam tudo, desde as coisas óbvias e banais até as eternas dúvidas existenciais. Alguns falam, e a maioria repete.
Quem pensa diferente é, no mínimo, visto com estranheza, ainda mais se não fizer parte da mesma patota. No futebol, é a mesma coisa.
Contardo Calligaris escreveu nesta Folha na última quinta-feira: 'Quando a mídia é de massa, não há mais diferença entre manipuladores e manipulados, pois os próprios manipuladores, expostos à mídia, são manipulados por suas produções. Ou seja, progressivamente, todo o mundo pensa as mesmas trivialidades'.
"

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O problema da baixa fertilidade

Uma vez discuti com alguns amigos sobre a "vantagem" do bolsa família em limitar o número de filhos beneficiados em três. O casal de amigos de classe média, que tinha apenas um filho, discordou seriamente da política. "Para que ter três filhos?"

Bom. O Brasil ainda não tem problemas de baixa natalidade, mas o terá em um futuro breve. A pirâmide etária do Brasil sofreu uma mudança drástica em pouco mais de vinte anos - na Europa essa mudança demorou um século.

Hoje estava pesquisando modelos econométricos nas bases de dados científicas e me deparei com um working paper da Harvard School, intitulado: The High Cost of Low Fertility in Europe (Bloom et al., 2008).
Em suma, o estudo diz que uma queda na fertilidade provoca uma diminuição da população dependente (filhos - estudantes) e um aumento na parcela da população em idade de trabalhar. Esta dinâmica faz com que a renda per capita aumente. Nada de novo até aí.

O Grande lance está no longo prazo. A parcela da população que trabalha hoje e tem idade avançada estará aposentada no futuro e teremos uma pequena parcela da população apta a trabalhar (e bancar a população idosa). A solução é "importar pessoas" com idade de trabalhar dos países pobres? Como se problemas de xenofobia não existissem...

Países como Zâmbia, com uma alta taxa de fertilidade deveriam diminuí-la, ao contrário de países europeus, cuja fertilidade deveria ser estimulada. Nos países do oeste europeu, mantida a longevidade, é esperada, nas próximas décadas, uma diminuição no número de pessoas em idade de trabalhar de 25%.

Moral da história. O ideal é chegar a uma proporção constante de velhos e jovens na população. A chamada taxa de reposição, que contempla essa proporção, é de 2,1 filhos por mulher. No Brasil essa taxa já foi de 6 filhos na década de 1960, 4,5 filhos na década de 1970 e hoje, segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) é de 1,8 filhos - abaixo da taxa de reposição.

É por isso que o bolsa família "estimula" que a mulher tenha até três filhos!

sábado, 7 de agosto de 2010

Proposta ao São Paulo

O São Paulo jogou bem em pouquíssimos jogos este ano. Fruto do trabalho fraco de Ricardo Gomes? Talvez. Mais provável que não. Desde que Muricy Ramalho ainda estava no São Paulo o time já jogava "feio". Era o famoso futebol de resultados que fora efetivo, conquistando louváveis três títulos nacionais consecutivos. Quiçá haveria um quarto título caso Muricy não fosse despedido. Como são-paulino, confesso não gostar de ver o futebol jogado pelo time a muito tempo. Ainda na era Muricy havia a necessidade de um meia-armador, seja rápido-condutor (estilo Kaká), seja clássico (organizador-pensador, estilo Ganso e Zidane). Com um jogador destes, Hernanes poderia jogar como jogou contra o Inter: segundo volante. Só não digo que comeu a bola no jogo pois não levou o time às finais da Libertadores. Mas jogou muito, muito mesmo, e espero que mantenha a posição e desempenho no jogo do Brasil, nesta terça-feira. Também ressalvo as contratações de Alex Silva e Ricardo Oliveira. Jogaram muito bem e serão reforços importantes para o brasileirão.

Porque falei isso até agora? Hernanes é prata da casa, assim como Alex Silva. Ricardo Oliveira é atacante importante um dos melhores atuando no país. São bons jogadores.

Jogadores entram no time com o aval da presidência, sobretudo. O técnico muitas vezes tem as mãos atadas. É papel da direção atrair bons jogadores e também promover a integração das categorias de base com o plantel principal. E é esse o ponto falho nas últimas campanhas do São Paulo. Há uma política para gastar pouco e por vezes contrata-se vários jogadores para a mesma posição, sejam eles de qualidade ou não. Não contrata-se jogadores para as posições carentes do time. Não se pode gastar! Sou economista e efetivamente contra o déficit dos clubes, mas é preciso ter visão de longo prazo. Contratar o necessário. Montar boas equipes, ganhar títulos e, assim, ter retorno. Também é necessário valorizar o que se tem. Como conseguiram deixar Oscar trocar de time? O garoto que é bom de bola jogou pouco, deveria ter muito mais oportunidades! Digo o mesmo de Henrique.

Falta ao São Paulo ter um objetivo: Montar uma boa equipe, que agrade ao torcedor e que dispute títulos (não dispute títulos). Esse objetivo passa pelos argumentos ditos acima. Se o objetivo for atingido, talvez o clube consiga agradar até um bom patrocinador e não precisar fazer aquele outdoor ridículo na camisa do clube… Mas isso é papo para outra hora…

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Tostão de novo [01]

Na Folha de São Paulo de hoje:

"[...] O conteúdo do vídeo com os jogadores do Santos, mostrado umas mil vezes nos programas de televisão -as imagens são ótimas-, não é um problema apenas do futebol e do Santos. É também de parte da juventude.
As redes sociais trazem benefícios e também o caos. Além disso,
as pessoas, cada vez mais, adoram se exibir pela internet. A brincadeira e a alegria espontânea estão muito próximas da idiotice, da irresponsabilidade e da barbárie.
É um mundo esquisito, esquizofrênico.
"

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Entrevista do Krugman

Entrevista do Paul Krugman para o site do Estadão (link aqui).
Destaque para a primeira pergunta, a qual concordo muito. Sou contra o oba-oba que vemos na maioria dos noticiários. O Brasil precisa passar por uma série de melhorias para emergir como potência. Dou ênfase para a questão de reformas simplificadoras, burocrática e, sobretudo, tributária.

O senhor acredita que existe um otimismo exagerado com a economia brasileira e outros países emergentes? O conceito dos Brics ainda é válido?

Sempre considerei o conceito dos Brics muito pobre, porque são economias muito díspares. Índia e China talvez possam pertencer a um mesmo grupo, por serem ainda economias com mão de obra muito barata; Rússia é um exportador de petróleo e o Brasil é um país de renda média baixa muito diferente dos outros. O Brasil é uma boa história, que na última década teve um desempenho melhor do que o esperado, conseguiu evitar uma crise severa, promoveu uma série de melhoras no poder de compra da base de sua população diante uma história de disparidade nas rendas, mas não é ainda uma história notável de crescimento. A ideia do Brasil como uma superpotência econômica futura é ainda muito baseada em especulação com suas conquistas recentes. Espero que um dia seja verdade, mas ainda não vejo isso acontecendo. Não vejo indicação hoje no crescimento do Brasil de que ele possa emergir como uma potência da mesma forma que a China.

Qual o papel da China na recuperação do crescimento econômico mundial?

A China é muito problemática, mesmo deixando de lado a questão da moeda, que tem impedido que sua demanda interna ajude o restante do mundo. Mesmo agora, ela não é uma economia tão grande, imaginamos que ela seja pela enorme quantidade de pessoas, mas do ponto de vista da taxa de câmbio - que é o que importa - ela ainda é do tamanho do Japão. Uma maneira que poderia fazer as economias emergentes liderarem a recuperação mundial seria se elas se preparassem para uma entrada massiva de capitais, com elevados déficits nas suas contas correntes. Mas esse não é um cenário real, uma vez que os governos desses países não permitirão que isso aconteça. Olho para o final do século 19, quando os pesados estímulos daquela época permitiram o surgimento de novas tecnologias e aceleraram a demanda. O problema é que o IPad não é grande o suficiente. É difícil prever como esse período de fraca demanda mundial chegará ao fim, e pode haver um longo caminho antes que isso aconteça.

É correta a percepção de que a atual crise nos países da União Europeia seja mais uma crise do euro do que uma crise de dívida soberana?

O euro tem sérios problemas, não é apenas uma crise de dívida. Casos como o da Espanha, que vinha tendo bons resultados nos últimos anos e agora está nessa situação, e mesmo a Grécia, que deve passar por uma fase de forte deflação após muitos anos de entrada massiva de capitais são situações muito difíceis de imaginar uma solução. Está-se diante de uma moeda única numa área que de certa forma nunca estabeleceu critérios para ter uma moeda única.

Como a Europa deve lidar com a sua crise de dívida soberana, como evitar que o euro entre em colapso?

É difícil ver uma saída para a Grécia sem uma reestruturação, e a questão principal para ela não é como irá reestruturar sua dívida, mas como ela vai resolver a questão do euro. Para o restante dos países, políticas não sincronizadas ajudariam muito; o programa de austeridade espanhol tem mais probabilidade de dar certo se toda a Alemanha não estiver também sob um programa de austeridade. Não vejo o euro entrando em colapso, vejo mais uma chance de a zona do euro perder alguns países periféricos, com saídas plausíveis como da Grécia. Ficaria muito surpreso se as economias centrais do euro não permanecessem com a moeda única.

O que poderia ser feito para que o euro seja uma moeda mais viável?

Uma política de meta de inflação mais frouxa, por exemplo, poderia ajudar. Se a zona do euro estabelecesse uma meta de 3% ou 4% seria bem mais fácil de se fazer ajustes nos países problemáticos do que com uma meta de 1% ou 2%, como é agora.

A crise Grega está sendo comparada à crise Argentina em 2001. Isso significa que a Grécia deva deixar o euro? E em relação a outros países em situação semelhante?

Há diversas semelhanças da Grécia com a Argentina. Eu diria que a Argentina se comportou de forma mais responsável, com um déficit substancialmente menor do que tem a Grécia. Mas em ambos os países você tem uma economia que recebeu volumes intensos de entrada de capital ao longo de vários anos e, quando esse capital secou, viu-se com uma grande quantidade de obrigações em sua moeda. No caso da Argentina, ela estabeleceu uma paridade com o dólar e um novo sistema de câmbio. O aconteceu foi que a primeira ação foi enfrentar uma crise bancária, que forçou o governo a fechar os bancos. Não estou dizendo que a Grécia deva abandonar o euro, mas, se houver uma crise bancária, o governo será obrigado a decretar um feriado bancário e a questão que fica é por que se manter no euro. Os argumentos são muito fortes sobre como isso acaba.

Qual a sua opinião sobre o acordo feito pelos líderes do G-20 para diminuírem seus déficits? Seria uma espécie de derrota à economia keynesiana?

Sim. A promessa de reduzir os déficits não foi nada além do que já se planejava. No caso dos Estados Unidos, a meta não é diferente da que já era prevista diante de uma recuperação da economia. Não há dúvidas de que o tom geral desse acordo foi "ok, está na hora da austeridade", e isso é uma coisa muito chocante de se ver, diante de uma recuperação econômica mundial ainda muito distante. Todos sabem que sou furiosamente contra isso, principalmente porque essa virada para a ortodoxia na política econômica mundial ocorreu sem nenhuma evidência clara de que era necessária.

Qual a disposição dos Estados Unidos de realizar acordos de livre-comércio?

Atualmente, não há muita discussão sobre acordos comerciais. Dada a situação política do país, com o presidente Obama tendo de lutar até mesmo por questões triviais e óbvias que devem ser feitas, não há como desperdiçar capital político com acordos comerciais, como a Rodada Doha. Se eu fosse ele, faria o mesmo. Esse é um assunto que não está no topo da agenda da atual gestão ou mesmo da próxima.

Há algum substituto para o dólar como principal moeda de reserva?

Uma moeda de reserva de valor não é algo que possa ser estabelecido por uma decisão política. Os países não guardam dólares ou euros porque alguém tenha ordenado; eles o fazem porque essas moedas são aparentemente mais seguras e altamente líquidas e esse é o problema principal do SDR (moeda composta por uma cesta de moedas do Fundo Monetário Internacional). O que poderia substituir o dólar teria de ser algo comprovadamente melhor desse ponto de vista. A única alternativa possível seria o euro, e há dois ou três anos eu imaginava que ele alcançaria uma parcela maior das reservas mundiais em relação ao dólar, mas acho que o euro deu um grande passo atrás, com todos os problemas atuais.

Há a possibilidade de um duplo mergulho na economia mundial com as medidas de austeridade tomadas na Europa?

Acredito que seja ainda uma possibilidade, mas não a mais provável. Você não vê um PIB em queda. Acho que um problema maior é que fizemos um progresso muito frágil na diminuição do desemprego nos Estados Unidos. Então um mergulho duplo propriamente dito, acredito que não; recuperação do desemprego, provavelmente sim, e é isso que me preocupa.

domingo, 4 de julho de 2010

A prova [2]

Bom... eu não sou aquele que vai execrar apenas depois do que aconteceu. No dia 13 de maio (link) eu já reiterava o comportamento agressivo de Felipe Melo até em uma simples entrevista.
Segue a entrevista depois do jogo, com as pérolas:

"Não sei se foi para cartão vermelho, eu não vi na televisão a jogada"
[Ele não pisou propositalmente no cara? Estava ali, ao vivo, in loco]

"O árbitro foi muito rude..."
[Qual adjetivo poderíamos utilizar para Felipe Melo?]

"O Robben continuou jogando. É diferente né?! Se fosse uma jogada realmente desleal, uma jogada para tirar ele do jogo, com certeza ele não estaria jogando, porque eu tenho força para suficiente para quebrar a perna do Robben" [Precisa dizer alguma coisa?]

sábado, 3 de julho de 2010

Os erros da seleção brasileira e as expectativas futuras

Sou fã de carteirinha da turma da ESPN, sobretudo Mauro Cézar Pereira (blog), do Paulo Vinicius Coelho (blog) e do Juca Kfouri (blog); além, é claro do Tostão, ligado à Folha de SP, que já foi várias vezes citado neste espaço. Acompanho a muito tempo essa turma. São os críticos de futebol mais preparados Brasil.

O que reproduzirei aqui vai ao encontro das críticas feitas por eles. Vou enumerá-las  para melhor sistematização [existe uma possibilidade remotíssima de alguém ligado a CBF ler - não custa sonhar]. Não vou perder tempo falando do Ricardo Teixeira também, o cara que está na ditadura da CBF a mais tempo que o ditador norte-coreano...

Todas as críticas restantes são ligadas ao técnico Dunga, o imediato ditador-júnior da CBF.
1) A relação com a imprensa
O Dunga nunca soube lidar com críticas. Era uma pessoa estremamende despreparada neste sentido. Dava-se bem com a imprensa "amiga", aquela que só faz reportagens felizes, exaltando os êxitos do técnico. O bom técnico escuta atentamente as críticas, pois é possível que boa parte delas façam algum sentido; e assim aprende - melhora - com elas. O segundo ponto ultrapassou a relação com a imprensa...

2) O destempero (comportamento violento)
Não era apenas nas entrevistas coletivas. Foi assim dentro de campo, onde insultava árbitros, adversários e por várias vezes, a torcida. No último jogo contra o Chile, pela eliminatória, ele chegou a agredir verbalmente uma parte da torcida na frente das câmeras. Isso não se faz, a torcida tem o direito de falar o que quiser, o técnico não. O ápice foi a entrevista coletiva na qual murmurava palavrões e olhava bestialmente ao simpático Alex Escobar. Na minha opinião tal comportamento só pode ser patológico. E o time absorveu esse "espírito guerreiro" (argh!) nos jogos contra Costa do Marfim, Portugal e, sobretudo, Holanda.

3) O excesso de coerência (ou a falta de)
Vou resumir as demais críticas aqui.
3.1 - Dunga montou um bom time, ainda que eu discorde de jogadores como Felipe Melo, Elano e Michel Bastos (do time titular) e vários reservas. Mas a principal crítica é a falta de opções na reserva. Quem seria o reserva de Kaká? Um jogador capaz de tocar a bola, melhorar a dinâmica do jogo em favor do time? Júlio Baptista? Não creio. O que se pretendia fazer com Kléberson, Ramires, Josué? Por que colocar Ganso na fila de espera e não convocá-lo? Qual a coerência?
3.2 - O segundo sub-item é o fato do enclausuramento dos jogadores. Sem direito a descanso, sem treinos abertos a imprensa. Só porque a copa de 2006 foi uma zorra, deve-se implantar uma ditadura agora? É essa a lógica? Segundo informações, 2002 estava mais para clima de farra do que de seriedade... e fomos campeões.
3.3 - A ideia do professor Dunga de que o importante é o resultado, independente da beleza do jogo. O Brasil não precisa dar show, mas tem jogadores hábeis, com condições de mostrar um jogo agradável de se ver. Seleções como a japonesa e algumas européias, que não tem grandes jogadores, devem jogar assim para conseguir algo. Sou completamente contra a ideia apenas do resultado, pelo menos para a seleção canarinho.

O último item faz a ligação com os preparativos para a próxima Copa, que será em nosso país.
Não sei qual é o técnico que tornará possível uma seleção bonita de se ver. Jogadores não faltarão: Neymar, Ganso, Coutinho (Vasco/Internazionale), Pato... Fora o que ainda há de surgir.

Um leitor do Blog criticou Ricardo Teixeira. Eu também apóio a saída do ditador, mas acho impossível antes do término da copa de 2014. Muita grana vai rolar até lá.

domingo, 27 de junho de 2010

Coluna do Tostão [Folha de São Paulo]

Na Folha de hoje
TOSTÃO
Mundos opostos

[...]
Faz um mês que estamos em Johannesburgo. Ao mesmo tempo em que estou vidrado na Copa, curioso para conhecer o final, estou com saudades do Brasil, de Minas Gerais, de Belo Horizonte, do meu bairro, da minha rua, do meu apartamento e, principalmente, das pessoas que amo.
Com exceção de algumas pessoas que adoram ou fingem gostar do cotidiano, por medo e/ou por não conhecer ou por não ter outras possibilidades, o ser humano sonha em se tornar um cidadão do mundo.
Mas, quando viaja por um tempo maior, morre de saudade de sua rotina, das pequenas coisas. Quer ser muitos em um só. "Sou o que penso, mas penso ser tantas coisas." (Fernando Pessoa)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Coluna do Gabriel Quevedo

Gabriel Quevedo é um amigo e ex-colega de Faculdade.
A tempos que toca um bom blog: Novos Filósofos (link aqui).
Abaixo um texto do dia 19 de junho.

Mestrados do Meu Brasil
Filosofia da Ciência

Se tem uma coisa que aprendi nos último meses é que um bom mestrado é aquele que te reduz a pó, que pega seu ego intelectual e pisa nele até que você não tenha certeza de mais nada que pensava ter aprendido durante sua humilde graduação. Mestrados bons te fazer sentir vontade de chorar depois de uma prova, quando não te fazem chorar de fato. Mestrado ruins já preferem te fazer se sentir o máximo. Como se tudo o que houvesse para ser aprendido já estivesse ali na sua frente... Ciência? Desenvolvimento Científico? Pra quê? - Diriam essas famosas pós-graduações das universidades particulares de má fama espalhadas pelo Brasil afora... Acredito que o fato das pessoas pagarem essas instituições para fazer as suas pós-graduações faz com que essas instituições se prostituam cientificamente, e se preocupem apenas em agradar o infeliz sujeito que ali vai obter seu título... Acredito que todo mestrado deveria em vez de cobrar pagar ao sujeito que nele entre... e o obrigue a estudar muito, mas muito mesmo, para que continue recebendo aquilo da Universidade. O aluno tem que chegar à beira da humilhação intelectual, de maneira a buscar o conhecimento como quem busca um copo de água no meio do deserto... Só assim se faz um cientista de verdade a partir de um moleque que acabou de sair da faculdade com a ilusão do mundo. Em termos platônicos, só assim tiramos o sujeito da caverna.

O Balanço da primeira fase da Copa

Acertei 11 das 16 seleções que passaram para segunda fase.
Aproveitamento de 69%.

Errei as seguintes:
África do Sul (passou Uruguai), Sérvia (passou Gana), Dinamarca (passou Japão), Itália (passou Paraguai), Costa do Marfim (passou Portugal).

Agora meus palpites para as oitavas de final:

















São dois os confrontos entre países sul-americanos e asiáticos. Aposto nos primeiros devido ao mesmo argumento: têm mais tradição e garra, mesmo não sendo os papões do continente. Coréia do Sul e Japão tem bons times, disciplinados e com alguns espasmos de bom futebol, mas...

Minha aposta é que o único país africano na copa cai nessa fase. Os EUA têm uma boa equipe e devem passar para a próxima fase, ainda que com dificuldades.

Os jogos da Holanda, Brasil, Argentina devem ser duros, mas não servirão ainda para mostrar a real força de cada seleção. As quartas-de-finais devem exigir mais destas seleção, que passarão.

Alemanha e Inglaterra, Espanha e Portugal. São os jogos mais equilibrados.
Acho que a Alemanha tem um time melhor e mais organizado que a Inglaterra. Mas depois de ver John Terry se atirar ao chão para evitar um chute adversário, passei a respeitar mais a apagada seleção inglesa.
A Espanha tem um conjunto melhor que o de Portugal. Portugal tem apenas algumas cerejas no bolo: Cristiano Ronaldo e Raul Meireles (que vem jogando muito). Aposto no conjunto da fúria, ainda que com um pé atrás - a fúria acaba sempre amarelando...